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ABD - Aprendizagem Baseada em Dilemas

Dilema Resumido:

#010 - Só um minutinho

Em meio à rotina de cuidar de sua mãe doente, Ana se depara com a urgência de comprar um remédio essencial que havia acabado. Apesar de estar atrasada para uma reunião, Ana corre até a farmácia, mas encontra dificuldade para estacionar. Em um momento de desespero, ela opta por parar na vaga destinada a pessoas com deficiência, pensando ser por "apenas um minutinho". Nesse instante, um motorista cadeirante chega, precisando da vaga. Ana, nervosa, justifica sua ação pela emergência da situação, e o cadeirante, percebendo a urgência, cede. No entanto, a situação complica quando o trânsito é bloqueado e um guarda de trânsito aparece, resultando em uma confusão que acaba com ambos, Ana e o cadeirante, sendo multados por diferentes infrações: o bloqueio do trânsito e o uso indevido da vaga especial, respectivamente.

 

Dilema Completo:

#010 - Só um minutinho...

Ana está com a mãe doente há muito tempo. É uma doença degenerativa complexa. Com 88 anos, a mãe de Ana vive sozinha com ajuda de uma cuidadora. Ana tem mais três irmãos que se revezam em passar na casa da mãe todos os dias para ver se está tudo bem e dar um pouco de afeto.

Não ficam com a mãe nas suas casas pois não tem espaço, todos trabalham e acreditam ser mais conveniente deixar a mãe na casa dela sob cuidados de uma pessoa dedicada. Essa manhã, quando Ana passou na casa da mãe, viu que um remédio fundamental tinha acabado e precisava comprar urgente, pois já havia passado algumas horas em que o remédio deveria ter sido tomado.

Ana ficou brava com a cuidadora, mas ela justificou que tinha avisado o irmão dela no dia de ontem sobre o remédio. Após ligar e brigar com o irmão, Ana que estava muito atrasada para uma reunião foi correndo na farmácia com a receita para comprar o remédio.

Chegou na porta da farmácia e não tinha vaga para estacionar, apenas a vaga de pessoas especiais estava sem carro. Como é apenas um minutinho, ela parou na vaga e quando estava descendo um carro com uma pessoa cadeirante chegou e buzinou para ela sair.

Nervosa, Ana falou: “É só um minutinho! Vou pegar um remédio e já saio. Minha mãe está muito doente precisando com urgência deste remédio”. O cadeirante acabou consentindo, pois viu o nervosismo de Ana.

Como era uma avenida de tráfego intenso e o carro do cadeirante estava na rua bloqueando os demais carros que vinha no fluxo, um guarda de trânsito que vinha na sequência multou o carro do cadeirante que estava bloqueando a rua.

Ana pegou o remédio e ao sair da farmácia viu toda a confusão. O guarda de trânsito com o talão de multas na mão, a acompanhante do cadeirante brigando com o guarda e informando que a vaga de pessoas especiais estava ocupada por uma pessoa normal e todo o trânsito parado com pessoas buzinando.

Nesse momento o guarda foi até Ana e falou: “ Você é quem será multada por criar toda essa confusão”.

Ana disse: “ Mas ele consentiu que eu parasse”. Nesse momento o cadeirante falou: “É mentira”.

O guarda não teve dúvidas: “Vou multar os dois. Um por atrapalhar o trânsito e você, Ana, por parar na vaga de pessoas especiais”.

Comentários:

O dilema enfrentado por Ana, ao decidir estacionar temporariamente em uma vaga destinada a pessoas com deficiência, destaca um conflito entre a ética do bem comum e considerações morais individuais. Este caso nos permite explorar as nuances entre a ética, que envolve princípios universais voltados para o bem-estar coletivo, e a moral, que se refere às normas e valores que orientam o comportamento individual dentro de um contexto específico.

Para esta análise, adotaremos a corrente filosófica do utilitarismo, proposta por Jeremy Bentham e John Stuart Mill. O utilitarismo foca nas consequências das ações, buscando promover o maior bem-estar para o maior número de pessoas. Esta perspectiva permite uma análise das ações de Ana sob a ótica das consequências de suas escolhas, tanto para ela quanto para os outros envolvidos, incluindo o motorista cadeirante e os demais usuários da via.

Corrente Filosófica: Utilitarismo

O utilitarismo, uma teoria ética normativa, argumenta que a melhor ação é aquela que maximiza a utilidade, geralmente definida como aquela que promove a maior felicidade ou reduz o sofrimento. No contexto do dilema de Ana, essa perspectiva sugere uma avaliação das consequências de estacionar em uma vaga especial, considerando o impacto dessa ação no bem-estar geral.

Aplicação do Utilitarismo ao Dilema:

Uso Temporário da Vaga Especial por Ana: A decisão de Ana de usar a vaga especial, mesmo que temporariamente, pode ser vista como uma falha na moral de respeito ao próximo, sob a ótica utilitarista. Essa ação prioriza sua conveniência pessoal em detrimento do bem-estar de indivíduos com deficiência, que dependem dessas vagas para acessibilidade.

  • Decisão de Ana: A escolha de Ana reflete uma moral de conveniência pessoal, onde a urgência de suas necessidades a leva a comprometer princípios éticos universais relacionados ao respeito e à igualdade. Do ponto de vista utilitarista, essa decisão falha em promover o maior bem-estar, gerando consequências negativas não apenas para o motorista cadeirante, mas também para o fluxo de trânsito e a ordem pública.

  • Confronto Sobre o Uso da Vaga Especial: O confronto ilustra um conflito entre a ética do bem comum, que exige consideração pelas necessidades e direitos de todos os indivíduos, especialmente aqueles em situações de vulnerabilidade, e a moral de direitos individuais, onde Ana prioriza suas necessidades imediatas. Utilitaristamente, a ação de Ana falha em maximizar o bem-estar geral, destacando a importância de aderir a normas sociais e legais projetadas para proteger o bem comum.

Respondendo as questões:

1. Ana usar a vaga especial temporariamente é uma questão de ética ou uma falha na moral de respeito ao próximo?

A ação de Ana é uma falha na moral de respeito ao próximo, refletindo uma decisão que prioriza sua conveniência pessoal em detrimento do bem-estar de outros, o que, sob a ótica utilitarista, também constitui uma violação da ética do bem comum.

2. A decisão de Ana reflete uma ética ou uma moral de conveniência pessoal?

A decisão de Ana reflete uma moral de conveniência pessoal, onde a urgência de suas necessidades individuais a leva a comprometer princípios éticos relacionados ao respeito e à igualdade, falhando em promover o bem-estar geral.

3. O confronto sobre o uso da vaga especial ilustra um conflito entre a ética do bem comum e a moral de direitos individuais?

Sim, o confronto ilustra um conflito entre a ética do bem comum, que valoriza o respeito e a acessibilidade para todos, e a moral de direitos individuais, onde as necessidades pessoais imediatas de Ana são priorizadas. Utilitaristamente, a ação de Ana é vista como prejudicial ao bem-estar geral, destacando a importância de aderir a normas que protegem os direitos e o bem-estar de todos.

Referências bibliográficas:
  • Bentham, J. (1789). An Introduction to the Principles of Morals and Legislation. Oxford University Press.

  • Mill, J. S. (1863). Utilitarianism. Longmans, Green, Co.

  • Singer, P. (1979). Practical Ethics. Cambridge University Press.

 

Esta análise, fundamentada no utilitarismo, busca compreender o dilema enfrentado por Ana, enfatizando a importância de avaliar as consequências das ações e as tensões entre os princípios éticos universais e as necessidades morais individuais.

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