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ABD - Aprendizagem Baseada em Dilemas

Dilema Resumido:

#016 - Entre a Lealdade e a Ética

Marcos, auditor em uma multinacional, descobre discrepâncias nas contas financeiras, mas decide não investigar, confiando na honestidade de Paulo, o diretor financeiro que ele recomendou. Um mês depois, uma fraude gigantesca é descoberta, com Paulo como culpado. Marcos se vê em um dilema: sua decisão anterior, baseada na confiança pessoal, agora o coloca sob suspeita de cumplicidade. Ele enfrenta o desafio de admitir seu erro, arriscando sua carreira e reputação, ou tentar se distanciar do escândalo, o que poderia agravar sua situação se descoberto. Marcos precisa decidir rápido o que fazer. Hoje ele foi chamado pelo presidente da empresa.

Dilema Completo:

#016 - Entre a Lealdade e a Ética

Marcos, um auditor experiente em uma multinacional, se depara com uma situação delicada durante uma auditoria interna. Analisando as contas do departamento financeiro, ele identifica discrepâncias que sugerem uma possível fraude ou desvio de dinheiro. Conhecendo Paulo, o diretor financeiro que ele mesmo recomendou para a empresa, Marcos decide ignorar os sinais, acreditando na honestidade e integridade de seu amigo.

Um mês depois, uma investigação mais aprofundada revela um esquema de fraude de grandes proporções, com Paulo como o principal responsável pelo desvio de uma quantia substancial de dinheiro da empresa. Marcos é confrontado com a realidade de que sua decisão de não investigar as irregularidades, motivada pela confiança pessoal em Paulo, pode agora implicá-lo como cúmplice da fraude.

Enquanto a empresa começa a lidar com as repercussões do escândalo, Marcos enfrenta um dilema ético e moral profundo. Ele deve admitir seu erro de julgamento e enfrentar as consequências de suas ações, que podem incluir repercussões legais e a perda de sua credibilidade profissional, ou tentar se distanciar do escândalo, arriscando-se a ser descoberto e acusado de cumplicidade.

Comentários:

O dilema enfrentado por Marcos, entre a lealdade a um amigo e a obrigação ética de sua profissão, ilustra uma tensão clássica na ética aplicada. Para analisar este dilema, recorreremos à ética deontológica, particularmente conforme formulada por Immanuel Kant. A ética deontológica kantiana enfatiza a importância de agir de acordo com o dever e princípios universais, independentemente das consequências.

Ética Deontológica de Kant

Immanuel Kant argumenta que as ações devem ser guiadas por deveres derivados de princípios universais, conhecidos como imperativos categóricos. Um imperativo categórico fundamental é agir de tal maneira que a máxima de nossa ação possa se tornar um princípio universal de ação. No contexto do dilema de Marcos, isso significa que sua decisão de não investigar as discrepâncias, baseada na confiança pessoal, falha em atender ao critério de universalidade e ao dever ético inerente à sua profissão de auditor.

1. Universalidade: Marcos deveria ter considerado se sua ação de ignorar as discrepâncias, baseada na confiança pessoal, poderia ser justificada como um princípio universal. Claramente, permitir que relações pessoais influenciem decisões profissionais de maneira que possa encobrir fraudes não é sustentável como um princípio universal.

2. Respeito pela Humanidade: Kant também enfatiza o respeito pela humanidade, o que implica tratar a si mesmo e aos outros sempre como fins em si mesmos, e nunca meramente como meios. Ao não investigar as discrepâncias, Marcos falhou em respeitar os interesses de todas as partes afetadas pela potencial fraude, incluindo colegas, acionistas e a sociedade em geral.

3. Autonomia: A ética kantiana valoriza a autonomia e a capacidade de agir de acordo com princípios éticos, independentemente de inclinações pessoais. Marcos enfrenta agora o desafio de exercer sua autonomia moral, admitindo seu erro e enfrentando as consequências, em vez de tentar se distanciar do escândalo.

 

Respondendo às Questões:

1. Marcos agiu de acordo com os princípios éticos ao decidir não investigar as discrepâncias baseando-se na confiança pessoal?

Não, Marcos não agiu de acordo com os princípios éticos ao decidir não investigar as discrepâncias. Sua ação falha em cumprir o imperativo categórico de universalidade, pois sua decisão, motivada por relações pessoais, não pode ser justificada como um princípio universal de ação.

2. Qual deveria ser a ação de Marcos ao enfrentar o dilema entre admitir seu erro ou tentar se distanciar do escândalo?

De acordo com a ética deontológica kantiana, Marcos deveria admitir seu erro e enfrentar as consequências. Esta ação respeita o princípio de universalidade, reconhecendo sua responsabilidade e o dever ético de agir com integridade, independentemente das consequências pessoais.

3. Como a ética deontológica kantiana avalia a importância das consequências das ações de Marcos?

A ética deontológica kantiana avalia as ações com base na intenção e na aderência a princípios éticos universais, e não nas consequências. Portanto, mesmo que admitir o erro possa ter consequências negativas para Marcos, é a ação correta a ser tomada, pois está alinhada com o dever ético e o respeito pela moralidade universal.

 

Referências Bibliográficas:

  • Kant, I. (1785). "Fundamentação da Metafísica dos Costumes". Tradução de Paulo Quintela. Porto: Porto Editora, 2001.

  • Wood, A. W. (1999). "Kant's Ethical Thought". Cambridge: Cambridge University Press.

  • Korsgaard, C. M. (1996). "The Sources of Normativity". Cambridge: Cambridge University Press.

 

A análise do dilema de Marcos através da lente da ética deontológica kantiana destaca a importância de aderir a princípios éticos universais e o dever de agir com integridade, independentemente das consequências pessoais. Isso reforça a necessidade de Marcos enfrentar as repercussões de suas ações anteriores, alinhando-se com o imperativo categórico de agir de maneira que suas ações possam ser justificadas como princípios universais.

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