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ABD - Aprendizagem Baseada em Dilemas

Dilema Resumido:

#021 – Deixe-me morrer

No Hospital Central, o Sr. Alfredo, de 95 anos, sofria com um câncer terminal. Cansado de tratamentos dolorosos, ele pediu ao jovem enfermeiro Jonas para ajudá-lo a morrer em paz. Jonas, que tinha uma relação especial com Alfredo, ficou dividido. A eutanásia era ilegal e poderia custar-lhe a carreira e a liberdade, mas ele via o sofrimento nos olhos de Alfredo e sentia profunda compaixão. Jonas passou a noite lutando com o dilema entre seu dever profissional e o desejo de aliviar a dor de Alfredo. Na manhã seguinte, com o coração pesado, ele sabia que qualquer decisão teria consequências profundas para ambos. O que Jonas deve fazer?

Dilema Completo:

#021 – Deixe-me morrer

No Hospital Central, o ambiente era sempre agitado, com médicos e enfermeiros correndo de um lado para o outro, tentando salvar vidas. Em um dos quartos, o Sr. Alfredo, um homem de 95 anos, estava deitado em sua cama, diagnosticado com um câncer terminal. Ele havia vivido uma vida plena, mas agora enfrentava um sofrimento imenso. Os médicos haviam sugerido quimioterapia e outros procedimentos dolorosos, mas Alfredo sabia que seu tempo estava acabando e não queria passar por mais dor.


Jonas, um jovem enfermeiro, tinha uma relação especial com Alfredo. Ele o visitava todas as noites, conversava com ele e tentava aliviar sua dor com palavras de conforto. Em uma dessas noites, Alfredo, com os olhos cheios de lágrimas, segurou a mão de Jonas e fez um pedido desesperado.


"Jonas, por favor, me ajude a acabar com isso. Eu não quero mais sofrer. Deixe-me morrer em paz."


Jonas ficou paralisado. Ele sabia que a eutanásia era ilegal e que ajudar Alfredo poderia custar-lhe a carreira e até mesmo a liberdade. Mas, ao mesmo tempo, ele via o sofrimento nos olhos de Alfredo e sentia uma profunda compaixão por ele. Jonas estava dividido entre seu dever profissional e seu desejo de aliviar a dor de Alfredo.


As questões éticas e morais começaram a assombrar a mente de Jonas. Ele se perguntava se uma pessoa tem o direito de tirar a própria vida e se ele, como enfermeiro, tinha o direito de ajudar alguém a morrer. Ele pensava na promessa que fez ao se tornar enfermeiro, de salvar vidas e aliviar o sofrimento, mas agora essas duas promessas pareciam estar em conflito.
Jonas passou a noite em claro, lutando com seus próprios demônios. Ele sabia que qualquer decisão que tomasse teria consequências profundas. Se ajudasse Alfredo, estaria violando a lei e seus princípios profissionais. Se não ajudasse, estaria condenando Alfredo a um sofrimento prolongado.


Na manhã seguinte, Jonas entrou no quarto de Alfredo com o coração pesado. Ele sabia que precisava tomar uma decisão, mas a escolha não era clara. Ele olhou para Alfredo, que estava mais fraco e sofrendo ainda mais, e sentiu uma onda de tristeza e compaixão.


O dilema de Jonas era profundo e complexo. Ele estava preso entre a ética profissional, a lei e sua própria moralidade. Qualquer decisão que tomasse teria um impacto duradouro em sua vida e na de Alfredo. Jonas sabia que não havia uma resposta fácil, e que, independentemente do que escolhesse, teria que viver com as consequências de sua decisão.

 
Comentários:

O dilema enfrentado por Jonas no Hospital Central é um exemplo clássico das complexidades éticas e morais que envolvem a prática da eutanásia. Para explorar este dilema, recorremos à filosofia de Immanuel Kant, especificamente sua ética deontológica. Kant argumenta que a moralidade das ações não deve ser julgada pelas consequências, mas sim pela intenção e pelo cumprimento do dever moral. Segundo Kant, as ações devem ser guiadas por imperativos categóricos, que são princípios universais e incondicionais.


Ética Deontológica de Immanuel Kant


1. Imperativo Categórico: Kant propõe que devemos agir de acordo com máximas que possam ser universalizadas. No caso de Jonas, a decisão de ajudar Alfredo a morrer deve ser avaliada pela máxima "é moralmente correto ajudar alguém a morrer para aliviar seu sofrimento?". Se essa máxima não puder ser universalizada sem contradição, então a ação não é moralmente permissível.


2. Respeito pela Autonomia: Kant enfatiza o respeito pela autonomia e dignidade de cada indivíduo. Alfredo, ao pedir para morrer, está exercendo sua autonomia. No entanto, Kant também argumenta que a vida humana tem um valor intrínseco e que não devemos tratar os seres humanos meramente como meios para um fim, mas sempre como fins em si mesmos.


3. Dever Moral e Profissional: Jonas, como enfermeiro, tem um dever moral e profissional de salvar vidas e aliviar o sofrimento. A ética deontológica de Kant sugere que Jonas deve cumprir seu dever moral, independentemente das consequências. Ajudar Alfredo a morrer pode ser visto como uma violação desse dever, pois envolve tirar uma vida, o que é contrário ao imperativo categórico de preservar a vida humana.

 

Respondendo às Questões:

1. Jonas deve ajudar Alfredo a morrer para aliviar seu sofrimento, segundo a ética deontológica de Kant?
Segundo a ética deontológica de Kant, Jonas não deve ajudar Alfredo a morrer, pois essa ação não pode ser universalizada como uma máxima moral. Além disso, tirar a vida de Alfredo seria tratar um ser humano como um meio para um fim (alívio do sofrimento), o que é contrário ao princípio kantiano de respeito pela dignidade humana.
 

2. Como a autonomia de Alfredo é considerada na ética deontológica de Kant?
Embora a autonomia de Alfredo seja importante, a ética deontológica de Kant enfatiza que a vida humana tem um valor intrínseco que não pode ser violado. Portanto, mesmo que Alfredo exerça sua autonomia ao pedir para morrer, Jonas tem o dever moral de preservar a vida humana e não pode cumprir esse pedido sem violar princípios éticos fundamentais.
 

3. Qual é o dever moral de Jonas como enfermeiro, segundo Kant, e como ele deve agir?
O dever moral de Jonas como enfermeiro, segundo Kant, é salvar vidas e aliviar o sofrimento dentro dos limites da moralidade. Ele deve agir de acordo com o imperativo categórico, que exige que ele preserve a vida humana e não tire a vida de Alfredo. Portanto, Jonas deve buscar outras formas de aliviar o sofrimento de Alfredo sem recorrer à eutanásia.

 

Referências Bibliográficas:

  • Kant, Immanuel. "Fundamentação da Metafísica dos Costumes". Tradução de Paulo Quintela. Edições 70, 2003.

  • Kant, Immanuel. "Crítica da Razão Prática". Tradução de Valerio Rohden e Udo Baldur Moosburger. Edições 70, 2003.

  • Wood, Allen W. "Kantian Ethics". Cambridge University Press, 2008.

 

A análise deste dilema sob a perspectiva da ética deontológica de Immanuel Kant destaca a importância de agir de acordo com princípios morais universais e incondicionais. Ela nos lembra que, mesmo em situações de grande sofrimento, devemos respeitar a dignidade humana e cumprir nossos deveres morais, buscando soluções que preservem a vida e a integridade dos indivíduos.

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