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ABD - Aprendizagem Baseada em Dilemas

Dilema Resumido:

#022 – Todo preconceito é antiético

No escritório central da Corporação TechNova, a busca por um novo gerente de compliance estava em sua fase final. Mário, um veterano de 67 anos com mais de 30 anos de experiência, era o candidato mais qualificado. Márcia, gerente de recursos humanos, reconhecia sua competência, mas enfrentava pressão da chefia para contratar alguém mais jovem, para manter a "dinâmica" da equipe.
Márcia estava em uma encruzilhada: contratar Mário, valorizando sua experiência, mas desobedecendo a chefia, ou escolher um candidato mais jovem, perpetuando o preconceito etário. Ela ponderava sobre as implicações éticas e profissionais de sua decisão, sabendo que afetaria não apenas Mário, mas também a cultura e os valores da empresa.

Dilema Completo:

#022 – Todo preconceito é antiético

No escritório central da Corporação TechNova, uma das maiores empresas de tecnologia do país, a busca por um novo gerente de compliance estava em sua fase final. A empresa, conhecida por sua inovação e liderança no mercado, precisava de alguém com vasta experiência para garantir que todas as regulamentações fossem seguidas à risca.


Mário, um profissional veterano com 67 anos e mais de 30 anos de experiência na área de compliance, destacava-se entre os candidatos. Reconhecido por sua integridade e resultados efetivos ao longo de sua carreira, ele era claramente o mais qualificado para a vaga. Márcia, a gerente de recursos humanos responsável pelo processo de seleção, estava impressionada com suas credenciais e sua capacidade de lidar com situações complexas e sensíveis.


No entanto, Márcia enfrentava uma pressão silenciosa, mas constante, da chefia para contratar alguém mais jovem. A justificativa era que um candidato mais jovem ajudaria a manter a "dinâmica" e "energia" da equipe, cuja faixa etária média era de 35 anos. Márcia sabia que ceder a essa pressão significaria perpetuar um preconceito etário injusto e antiético.


Ela se encontrava em uma encruzilhada. De um lado, estava a escolha de contratar Mário, valorizando sua experiência e competência, mas desobedecendo a orientação da chefia e arriscando repercussões negativas. De outro, estava a opção de seguir a orientação da chefia, escolhendo um candidato mais jovem, mas menos qualificado, e perpetuando um ciclo de discriminação etária.


Márcia ponderava sobre as implicações de sua decisão. Contratar Mário poderia trazer benefícios inesperados à equipe, como a sabedoria e a perspectiva de um profissional experiente. No entanto, ela também sabia que desobedecer a chefia poderia afetar sua própria carreira e a confiança que seus superiores tinham nela.


Enquanto refletia, Márcia se perguntava até que ponto era justo e ético discriminar um candidato com base em sua idade. Ela sabia que sua decisão não afetaria apenas Mário, mas também a cultura e os valores da empresa. Márcia precisava equilibrar seus próprios valores éticos com as expectativas e diretrizes da empresa, sabendo que qualquer escolha que fizesse teria consequências significativas.


A escolha de Márcia não era apenas sobre quem ocuparia a vaga de gerente de compliance, mas sobre que tipo de profissional e pessoa ela queria ser. Ela sabia que, independentemente da decisão, teria que lidar com as implicações éticas e morais de sua escolha, refletindo sobre o impacto que sua decisão teria na empresa e em sua própria vida.

Comentários:

O dilema enfrentado por Márcia na Corporação TechNova é um exemplo claro das tensões entre ética e moral no contexto organizacional, especialmente no que diz respeito ao preconceito etário. Para analisar este dilema, recorremos à filosofia de John Rawls, especificamente sua teoria da justiça como equidade. Rawls argumenta que uma sociedade justa é aquela que organiza suas instituições de maneira a garantir que as desigualdades sejam arranjadas para beneficiar os menos favorecidos e que todos tenham igualdade de oportunidades.


Teoria da Justiça como Equidade de John Rawls


1. Princípio da Igualdade de Oportunidades: Rawls defende que todos os indivíduos devem ter igualdade de oportunidades, independentemente de características como idade, gênero ou raça. No caso de Márcia, a decisão de contratar Mário, apesar da pressão para escolher um candidato mais jovem, alinha-se com o princípio de igualdade de oportunidades, pois valoriza a competência e experiência de Mário, sem discriminação etária.


2. Princípio da Diferença: Este princípio sugere que as desigualdades sociais e econômicas devem ser organizadas de forma a beneficiar os menos favorecidos. Embora Mário seja altamente qualificado, ele pode ser considerado desfavorecido devido ao preconceito etário. Contratar Mário poderia, portanto, ser visto como uma aplicação do princípio da diferença, corrigindo uma desigualdade injusta.


3. Justiça como Equidade: A decisão de Márcia deve ser guiada pelo conceito de justiça como equidade, que exige que as instituições e práticas sejam justas e equitativas. Perpetuar o preconceito etário ao contratar um candidato menos qualificado apenas para manter a "dinâmica" da equipe seria uma violação desse princípio. A justiça como equidade exige que Márcia tome uma decisão baseada em mérito e justiça, não em preconceitos ou pressões externas.

 

Respondendo às Questões:

1. Márcia deve contratar Mário, mesmo sob pressão da chefia para escolher um candidato mais jovem, segundo a teoria da justiça como equidade de Rawls?
Sim, segundo a teoria da justiça como equidade de Rawls, Márcia deve contratar Mário, pois isso respeita o princípio da igualdade de oportunidades e corrige uma desigualdade injusta. A decisão de contratar Mário é justa e equitativa, valorizando a competência e experiência sem discriminação etária.


2. Como a teoria da justiça como equidade de Rawls orienta a tomada de decisão em casos de preconceito etário?
A teoria da justiça como equidade de Rawls orienta que as decisões devem ser tomadas com base na igualdade de oportunidades e no princípio da diferença. Isso significa que qualquer forma de discriminação, incluindo o preconceito etário, deve ser evitada, e as decisões devem ser baseadas em mérito e justiça, beneficiando os menos favorecidos.


3. Qual é o impacto da decisão de Márcia na cultura e nos valores da empresa, segundo a teoria de Rawls?
Segundo a teoria de Rawls, a decisão de Márcia de contratar Mário pode ter um impacto positivo na cultura e nos valores da empresa, promovendo um ambiente de justiça e equidade. Isso pode ajudar a estabelecer uma cultura organizacional que valoriza a competência e a experiência, independentemente da idade, e que combate o preconceito e a discriminação.

 

Referências Bibliográficas:

  • Rawls, John. "Uma Teoria da Justiça". Tradução de Jussara Simões. Martins Fontes, 2002.

  • Freeman, Samuel. "Rawls". Routledge, 2007.

  • Sandel, Michael J. "Justiça: O que é fazer a coisa certa". Tradução de Heloisa Matias e Maria Alice Máximo. Civilização Brasileira, 2011.

 

A análise deste dilema sob a perspectiva da teoria da justiça como equidade de John Rawls destaca a importância de tomar decisões justas e equitativas, que respeitem a igualdade de oportunidades e corrijam desigualdades injustas. Ela nos lembra que, mesmo sob pressão, devemos agir de acordo com princípios de justiça e equidade, promovendo um ambiente organizacional que valorize a competência e a experiência, sem discriminação. 

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