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ABD - Aprendizagem Baseada em Dilemas

Dilema Resumido:

#025 – Devemos ser compassivos?

Em uma central de telemarketing, Márcio, um operador enfrentando uma crise pessoal devido à doença grave de sua esposa, perde o controle e xinga um cliente irritado, Sr. Almeida, durante uma ligação. Sr. Almeida grava a ligação e ameaça expor a empresa, causando um possível escândalo. Gabriela, a supervisora de Márcio, é chamada para investigar. Márcio nega as acusações, mas a gravação do cliente confirma sua conduta inapropriada. Gabriela enfrenta um dilema: deve revelar a verdade e causar a demissão de Márcio, agravando sua situação pessoal, ou tentar protegê-lo, arriscando a reputação da empresa? Ela pondera sobre responsabilidade, compaixão e justiça, sabendo que qualquer decisão terá profundas consequências.

Dilema Completo:

#025 – Devemos ser compassivos?

Em uma central de telemarketing de uma grande empresa de seguros de saúde, a atmosfera é tensa. A empresa está passando por uma atualização tecnológica, e, excepcionalmente, as gravações das ligações não estão sendo feitas hoje. Márcio, um operador de telemarketing, está enfrentando uma crise pessoal: sua esposa está gravemente doente e ele está sobrecarregado com dívidas médicas. O estresse acumulado o deixou à beira do colapso.


Durante seu turno, Márcio recebe uma ligação de um cliente extremamente irritado, Sr. Almeida, que está furioso com a recusa da empresa em cobrir um tratamento vital para seu filho. Márcio, já no limite, perde o controle e responde de maneira agressiva, xingando e destratando o cliente. Sr. Almeida, indignado, grava a ligação e ameaça expor a empresa nas redes sociais e na mídia, o que poderia causar um enorme escândalo.


A diretoria, alarmada com a situação, convoca Gabriela, a supervisora de Márcio, para investigar o ocorrido. Gabriela, que conhece a situação pessoal de Márcio, está dividida. Ela sabe que Márcio é um bom funcionário que está passando por um momento extremamente difícil, mas também entende a gravidade da situação e o impacto potencial para a empresa.


Ao confrontar Márcio, ele nega veementemente as acusações, alegando que o cliente está mentindo. Sem as gravações das ligações da empresa, parece ser apenas a palavra de um contra a do outro. No entanto, Gabriela recebe a gravação feita pelo Sr. Almeida, que confirma a conduta inapropriada de Márcio.


Gabriela enfrenta um dilema ético e moral profundo: deve ela revelar a verdade à diretoria, o que resultaria na demissão de Márcio e possivelmente agravaria sua situação pessoal e financeira, ou deve tentar proteger Márcio, arriscando a integridade e a reputação da empresa? Além disso, Gabriela sabe que, se a verdade vier à tona de outra forma, ela também pode ser responsabilizada por encobrir o incidente.


Enquanto pondera sua decisão, Gabriela reflete sobre os temas de responsabilidade profissional, compaixão, lealdade e justiça. Ela deve escolher entre a verdade e a compaixão, sabendo que qualquer decisão terá consequências profundas e duradouras para todos os envolvidos.

Comentários:

O dilema enfrentado por Gabriela, supervisora de uma central de telemarketing, ao decidir entre revelar a verdade sobre a conduta inapropriada de Márcio ou protegê-lo devido à sua situação pessoal, é um exemplo clássico das tensões entre ética e moral no ambiente de trabalho. Para analisar este dilema, recorremos à filosofia utilitarista de John Stuart Mill, que enfatiza a maximização do bem-estar e a minimização do sofrimento.


Teoria Utilitarista de John Stuart Mill

Princípio da Utilidade: Mill argumenta que a moralidade de uma ação deve ser avaliada com base em sua capacidade de promover a maior felicidade para o maior número de pessoas. No caso de Gabriela, ela deve considerar as consequências de suas ações tanto para Márcio quanto para a empresa e seus stakeholders. Revelar a verdade pode resultar na demissão de Márcio, agravando sua situação pessoal e financeira, mas também pode proteger a reputação da empresa e evitar um escândalo que poderia afetar muitos outros funcionários e clientes.


Conseqüencialismo: O utilitarismo é uma teoria consequencialista, o que significa que a moralidade de uma ação é determinada por suas consequências. Gabriela deve ponderar as consequências de suas ações em termos de bem-estar geral. Proteger Márcio pode parecer um ato de compaixão, mas se isso resultar em um escândalo que prejudique a empresa e seus clientes, as consequências negativas podem superar os benefícios imediatos para Márcio.


Justiça e Imparcialidade: Mill também enfatiza a importância da justiça e da imparcialidade na avaliação das ações. Gabriela deve considerar se é justo proteger Márcio à custa da integridade da empresa e da confiança dos clientes. A justiça exige que as ações sejam avaliadas de maneira imparcial, levando em conta os direitos e interesses de todas as partes envolvidas.

 

Respondendo às Questões:

1. Como a teoria utilitarista de John Stuart Mill orienta a decisão de Gabriela sobre revelar a verdade ou proteger Márcio?

A teoria utilitarista de John Stuart Mill orienta Gabriela a considerar as consequências de suas ações em termos de bem-estar geral. Revelar a verdade pode resultar na demissão de Márcio, mas também pode proteger a reputação da empresa e evitar um escândalo que poderia afetar muitos outros funcionários e clientes. A decisão deve ser baseada na maximização da felicidade e na minimização do sofrimento para o maior número de pessoas.


2. De que maneira o princípio da utilidade de Mill se aplica ao dilema de Gabriela?
O princípio da utilidade de Mill se aplica ao dilema de Gabriela na medida em que ela deve avaliar a moralidade de suas ações com base em sua capacidade de promover a maior felicidade para o maior número de pessoas. Proteger Márcio pode parecer um ato de compaixão, mas se isso resultar em um escândalo que prejudique a empresa e seus clientes, as consequências negativas podem superar os benefícios imediatos para Márcio. Gabriela deve considerar as consequências de suas ações em termos de bem-estar geral.


3. Qual é o impacto da decisão de Gabriela sobre a justiça e a imparcialidade, segundo a filosofia de Mill?
Segundo a filosofia de Mill, a decisão de Gabriela deve ser avaliada em termos de justiça e imparcialidade. Proteger Márcio à custa da integridade da empresa e da confiança dos clientes pode ser visto como injusto. A justiça exige que as ações sejam avaliadas de maneira imparcial, levando em conta os direitos e interesses de todas as partes envolvidas. Revelar a verdade pode ser a decisão mais justa, pois protege a integridade da empresa e a confiança dos clientes, mesmo que isso resulte em consequências negativas para Márcio.

 

Referências Bibliográficas:

  • Mill, John Stuart. "Utilitarianism". Hackett Publishing Company, 2001.

  • Smart, J. J. C., and Williams, Bernard. "Utilitarianism: For and Against". Cambridge University Press, 1973.

  • Crisp, Roger. "Mill on Utilitarianism". Routledge, 1997.

A análise deste dilema sob a perspectiva da teoria utilitarista de John Stuart Mill destaca a importância de considerar as consequências das ações em termos de bem-estar geral, justiça e imparcialidade. Ela nos lembra que devemos avaliar a moralidade de nossas ações com base em sua capacidade de promover a maior felicidade para o maior número de pessoas, levando em conta os direitos e interesses de todas as partes envolvidas.

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