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ABD - Aprendizagem Baseada em Dilemas

Dilema Resumido:

#013 - Sou ativista, só que não

Judith, uma ativista dedicada à causa dos imigrantes, enfrenta um dilema pessoal profundo quando seu pai sofre um acidente grave e precisa de atendimento urgente em um hospital público lotado, inclusive com muitos imigrantes na fila. Apesar de seu compromisso com a igualdade e a luta contra o preconceito, a urgência da situação de seu pai a leva a um momento de desespero, onde ela clama por prioridade para o atendimento baseando-se em sua nacionalidade brasileira. Esse pedido surge em um contexto de estresse extremo, mas contrasta fortemente com seus valores. Infelizmente, seu pai falece antes de receber atendimento, deixando Judith confrontada com a complexidade de suas convicções em um momento de crise pessoal.

Dilema Completo:

#013 - Sou ativista, só que não

Judith é ativista ferrenha. Luta contra o preconceito que existe contra os imigrantes que chegam, todos os dias, em nosso país. São Haitianos, Senegaleses, Nigerianos, Sírios e assim vai. Ela é voluntária e batalha todos os dias para regularizar a situação dos imigrantes e arrumar empregos para que eles possam viver dignamente.

Todos os dias Judith dedica parte do seu tempo na busca de soluções para esse problema social grave que ocorre em nosso país e que as autoridades pouco fazem para ajudar.

Hoje, Judith teve um problema grande para resolver. Seu pai sofreu um acidente grave e ela levou para um hospital público, pois não tinha convênio médico.

Ao chegar no hospital, pegou um fila enorme para ser atendida, mesmo seu pai estando gravemente ferido. Na recepção do hospital havia muitos haitianos, senegaleses, etc., também para serem atendidos. A recepção estava uma loucura.

Num primeiro momento, Judith se solidarizou com todos. Mas o tempo foi passando e mesmo ela pedindo urgência, as atendentes falavam que não podiam fazer nada a mais, pois como ela podia perceber, tudo estava complicando depois da chegada de tantos imigrantes no país.

Em um momento de grande nervosismo, Judith falou para a atendente: “Mas eu sou brasileira, deveria ter prioridade”.

Neste instante, seu pai acabou de falecer.

Comentários:

O dilema enfrentado por Judith ilustra uma situação profundamente humana, onde os princípios éticos e morais são postos à prova sob a pressão de circunstâncias extremas. Este caso nos permite explorar a tensão entre os ideais de igualdade e justiça social e as reações instintivas em momentos de crise pessoal. Para analisar este dilema, recorremos à corrente filosófica do contratualismo, particularmente conforme articulado por John Rawls.

Corrente Filosófica: Contratualismo de John Rawls

John Rawls, em "Uma Teoria da Justiça", propõe uma estrutura de sociedade baseada em princípios de justiça que seriam escolhidos sob o véu da ignorância, onde os indivíduos desconhecem sua posição na sociedade. Este pensamento visa garantir a imparcialidade e a equidade, assegurando que as decisões tomadas promovam a igualdade de oportunidades e tratem todos com justiça.

A ação de Judith, ao reivindicar prioridade no atendimento com base em sua nacionalidade, reflete um conflito interno entre seus valores de longa data e a urgência de uma situação de vida ou morte. Embora sua reação possa ser entendida como um impulso humano natural diante do medo de perder um ente querido, ela contradiz os princípios de igualdade e justiça social que ela defende. Sob a perspectiva do contratualismo de Rawls, a ação de Judith seria considerada injusta, pois viola o princípio de tratar todos os indivíduos com igual consideração e respeito, independentemente de sua nacionalidade.

 

Respondendo às Questões:

1. A ação de Judith contradiz seus princípios éticos de igualdade e justiça social?

Sim, a ação de Judith contradiz seus princípios éticos de igualdade e justiça social. Ao solicitar prioridade com base em sua nacionalidade, ela age de maneira contrária aos valores que promove em sua atividade como ativista, que enfatizam a igualdade de tratamento para todos, independentemente de sua origem.

2. Como o conceito do véu da ignorância de Rawls poderia ter influenciado a reação de Judith?

O conceito do véu da ignorância de Rawls sugere que, ao tomar decisões, deveríamos fazê-lo sem conhecer nossa posição na sociedade, para garantir a imparcialidade e a justiça. Se Judith tivesse aplicado esse conceito, ela poderia ter reconhecido que, independentemente da nacionalidade, todos merecem igual consideração e cuidado em situações de emergência, reforçando a importância de manter seus princípios éticos mesmo sob pressão.

3. É possível justificar a reação de Judith sob alguma perspectiva ética?

Embora a reação de Judith possa ser compreendida como um impulso humano diante do medo e da urgência, é difícil justificá-la plenamente sob uma perspectiva ética que valorize a igualdade e a justiça social. No entanto, pode-se argumentar que situações extremas podem levar a conflitos morais internos, onde a aplicação rígida de princípios éticos se choca com a necessidade imediata de agir para salvar a vida de um ente querido.

Referências Bibliográficas:

  • Rawls, J. (1971). Uma Teoria da Justiça. Harvard University Press.

  • Sandel, M. J. (2009). Justiça: O que é fazer a coisa certa. Farrar, Straus and Giroux.

  • Freeman, S. (2007). Rawls. Routledge.

 

Este caso destaca a complexidade das decisões éticas em situações de crise, onde os valores pessoais são desafiados por circunstâncias extremas. A análise sob a perspectiva do contratualismo de Rawls nos leva a refletir sobre a importância de manter princípios de igualdade e justiça, mesmo quando confrontados com dilemas pessoais profundos.

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