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Ética Comportamental !?


Há pessoas que acreditam que a tal de “ética comportamental” é “coisa” contemporânea, apartada da ética filosófica. Esses dias ouvi uma sandice daquelas: “Ética filosófica é abstrata e ética comportamental é prática”. Isso é uma besteira sem tamanho. A Ética e a Moral são do campo da filosofia é lá que esses temas nasceram há 2.500 anos. Esses temas são de domínio da filosofia.


O que acontece é que, como a filosofia saiu do curriculum escolar no golpe de 1964 e nunca mais voltou, essas pessoas criam conceitos falsos porque não estudaram filosofia e algum maluco definiu ética em outro campo e a pessoa incauta jura que é verdade. Além disso, esses incautos confundem ética (reflexão) com moral (ação), chamando esse último de “ética comportamental”. Seria a mesma sandice falar de “cardiologia comportamental”. Vergonha alheia que fala, né?!

Surgimento e Fundamentação Histórica

O que inventamos hoje e chamamos de “ética comportamental” tem raízes profundas na filosofia e nas ciências sociais. Desde os primórdios da civilização, os filósofos gregos, como Sócrates, Platão e Aristóteles, debateram sobre a natureza da moralidade e do comportamento humano ético. No entanto, foi apenas no século XIX que a dita “ética comportamental” começou a emergir como um campo de estudo, equivocadamente, científico. Na verdade, tudo que chamamos de: “Ética e alguma coisa...”(empresarial, organizacional, na saúde, na advocacia etc.), trata apenas e tão somente de ética aplicada a alguma coisa.


Um marco importante foi o trabalho de Charles Darwin (filósofo), cuja teoria da evolução lançou as bases para uma compreensão científica do comportamento humano. Darwin argumentou que a moralidade é um produto da seleção natural, uma adaptação que permitiu aos seres humanos cooperarem em grupos para sobreviver e prosperar. Esse insight influenciou pensadores como Herbert Spencer (filósofo) e William James (filósofo), que contribuíram para a fundação da psicologia moral.

Desenvolvimento da Psicologia Moral

No século XX, a psicologia moral começou a se estabelecer como um campo distinto de estudo. Pesquisadores como Jean Piaget (psicólogo), Lawrence Kohlberg (psicólogo) e Carol Gilligan (filósofa e psicóloga) fizeram avanços significativos na compreensão do desenvolvimento moral em crianças e adultos. Kohlberg, por exemplo, propôs uma teoria de seis estágios do desenvolvimento moral, que descreve como as pessoas progridem de uma moralidade baseada em recompensas e punições para uma moralidade baseada em princípios éticos universais.


No entanto, a “ética comportamental” não se limita apenas à psicologia. Outras disciplinas, como a economia comportamental, também desempenharam um papel importante na compreensão das decisões morais. Pesquisadores como Daniel Kahneman (psicólogo) e Amos Tversky (psicólogo) exploraram como os vieses cognitivos afetam o julgamento ético e as escolhas financeiras. Entretanto, e é bom lembrar, que nenhuma dessas personalidades modificaram e/ou substituíram o conceito de ética e moral e nem a sua gênese. Trata-se somente de uma releitura preliminar que carece de muito fundamento científico, já que nenhum deles se especializaram na ética e moral. Há muitas falhas nesses conceitos. A ética sempre foi e sempre será a teoria universal que trata do bem comum. Já a moral, é a prática dessa teoria baseada num olhar cultural de determinada sociedade.

Desafios Contemporâneos

Nos dias atuais, a “ética comportamental” enfrenta desafios complexos e em constante evolução. Com a globalização e o avanço tecnológico, surgiram novos dilemas éticos, como a privacidade digital, a inteligência artificial e a engenharia genética. Os avanços na neurociência também levantam questões sobre a natureza da eticidade e da moralidade, e a possibilidade de influenciar o comportamento humano por meio de manipulações cerebrais.


A “ética comportamental” percorreu um longo caminho desde seus primórdios na filosofia antiga até os desafios complexos e interdisciplinares dos dias atuais. Ela se beneficia de insights de diversas disciplinas, incluindo a filosofia, a psicologia, a economia e a neurociência, para compreender como os seres humanos tomam decisões morais e como essas decisões evoluíram ao longo da história. À medida que a sociedade continua a evoluir, a “ética comportamental” permanece fundamental para abordar dilemas éticos emergentes e promover um comportamento moral a nível individual é ético a nível coletivo.


Releituras são extremamente importantes para a evolução do conceito. Ela só são válidas se, quem faz as releitura obedece os rituais acadêmicos, necessários para que não se cometa falácias. Sou a favor de fazer cada vez mais releituras, principalmente sobre ética e moral. Faço isso sem utilizar de atalhos dos conceitos originais. O rigor acadêmico deve ser, sempre, o fio condutor honesto para isso.


Resumindo: o conceito de ética: bem comum com viés universal e de moral: certo/errado com viés singular, não mudaram em nada durante todo esse tempo. Tudo que Aristóteles escreveu sobre a ética e o comportamento humano, ainda é a base de tudo. Se você ler: Ética a Nicômaco, Ética a Eudemo e Magna Moralia, vai ver que; “está tudo como dantes no quartel d’Abrantes”. O resto é “modinha” para “vender” consultoria em um campo (ética e moral) que a maioria dos brasileiros não navega com facilidade. Infelizmente!

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