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Eticista & Moralista


É possível ser um cardiologista sem ter estudado medicina? E um criminalista sem ter estudado direito? Penso que não!

O sufixo “-ista” é utilizado como formador de adjetivos e substantivos que exprimem a noção, entre outras coisas, de especialista ou estudioso de um determinado assunto.


Assim, eticista é alguém que estudou filosofia e se especializou em ética. Moralista, alguém que estudou filosofia e/ou direito e se especializou em moral.


É inconcebível encontrar eticistas que não estudaram filosofia, da mesma forma que é impossível ser cardiologista sem ter estudado medicina.

Qual a razão disso?


A razão é que, a ética, campo da filosofia, não aparece como disciplina isolada. O estudo da ética está imbricado com outros estudos e contextos de vários filósofos a sua época. Por exemplo: como a ética trata do bem comum com viés universal, você sabia que, no medievo, a igreja católica tomou para si os conceitos de ética e o relacionou a Deus?


Neste período, tudo que chamamos de ética, atualmente, passou a chamar de moral, pois o termo ética e sua amplitude ficou reservado ao divino. Na época, muitos filósofos, com medo de ser considerados hereges, mudaram o seu discurso criando uma confusão sem tamanho para as gerações futuras.


Vejo todo dia nas redes sociais pessoas se autodenominando eticistas sem nunca ter estudado filosofia ou lido os textos sobre ética e moral de Sócrates até Adela Cortina, por exemplo.

É claro que há exceções. Conheço um professor, engenheiro eletricista, que se tornou um eticista se dedicando de forma resiliente aos estudos da ética e moral. Além disso, ele forma seus alunos em eticistas todos os anos, por meio de um curso específico criado por ele.


Veja também o Mario Sérgio Cortella, se formou em filosofia e sua especialização é em educação. O Cortella conhece bem ética e moral, mas não é um eticista pois não se dedica só a esse tema. Tem também o Clóvis de Barros, se formou em direito e comunicação e, por estudar e gostar da filosofia, conhece ética e moral, mas também não é um eticista. Já outros como Leandro Karnal, Pondé etc., não conhecem ética e moral, não são eticistas nem moralistas, mas gostam de falar, superficialmente, sobre isso pois garantem público.


Outro termo usado erroneamente é o de moralista. Quando usado no senso comum, confundem moralista naquela pessoa que defende a obediência cega às leis/regras morais sem se questionar se elas estão de acordo com a época e se são justas e éticas. Na verdade, moralista é uma pessoa que estuda profundamente as regras existentes, avaliando sua amplitude, imparcialidade, equanimidade e justiça.


Por vezes, as pessoas querem dizer “falso moralista” que é quem prega a moral, mas não cumpre, e dizem “moralista”. Erro comum de quem não estudou o assunto.

A moral e os moralistas são importantes para qualquer grupo de pessoas. Seja uma família, uma comunidade, uma empresa, uma cidade ou um país, todos são regidos por leis e regras que, na maioria das vezes, ficam obsoletas com o tempo. Um moralista pode e deve ajustar as regras morais para acompanharem o contexto, sempre utilizando os princípios éticos universais que ajudem a reflexão para atualização e implementação de novas regras.


Infelizmente, no campo político, os “moralistas” existentes são os vereadores, deputados estaduais e federais e senadores que, não tendo formação de especialistas, alteram e criam leis que, longe de princípios éticos, mais prejudicam do que favorecem a maioria da população.


Em âmbitos menores, como as empresas, a falta de moralistas faz com que códigos de condutas, políticas de compliance, ESG, Governança, LGPD e todo do resto, sejam criados apenas do ponto de vista jurídico e não do ponto de vista moral com princípios éticos.


Até hoje vemos publicações de “Código de Ética” quando não existe isso. Se a ética é universal, como pode alguém criar um “código de ética” para uma determinada empresa? O que existem são “códigos de conduta ou códigos morais”.

O que mais me preocupa atualmente é o surgimento de vários “-istas” sem que eles tenham estudado o básico. São os “cardiologistas” que não estudaram medicina. Os “criminalistas” que não estudaram direito. Os “pianistas” que não sabem música e assim por diante. Ou entendemos que a especialização ocorre do lato senso para o stricto senso, ou a IA (inteligência Artificial) substituirá, com louvor, todos os “-istas” de plantão.

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