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Meu pai é um exemplo de honestidade! #sqn

Atualizado: 15 de nov. de 2022


Durante grande parte da minha vida falei isso para as pessoas. Tinha em mente algumas máximas do tipo: “Honestidade vem de berço”; “Os valores familiares são a base de tudo”; “Ética se aprende em casa” entre outras tantas na área das virtudes.

Hoje sei que meu pai e minha família, tanto o núcleo central como o estendido, nunca foram éticos para valer. No máximo, foram rígidos moralmente, mas não totalmente.

Explico: quando afirmamos que tal pessoa é um exemplo de honestidade, estamos, na verdade, falando que essa pessoa não faz coisas erradas. Ser honesto é seguir as várias regras que estamos submetidos no dia a dia: sejam as leis, os códigos de conduta da empresa, do colégio, do condomínio em que moramos, do clube que frequentamos, da associação profissional que pertencemos, da religião que frequentamos e assim vai.


Ser honesto em suma não é, necessariamente, que se tenha uma postura ética perante a vida. Ser ético é outra coisa. Ser honesto está mais para o agir moralmente cumprindo as regras, do que para a reflexão ética propriamente.


Quando disse que meu pai e familiares não foram éticos para valer, quero dizer que: presenciei várias vezes eles beberem e dirigirem depois com a família dentro do carro. Mas isso na época era considerado normal. Quase todos faziam no fim de semana quando se reuniam para ir a um restaurante ou mesmo para juntar familiares. Nesse caso eram imorais, ou seja, eram contra a moral (lei) existente que proibia dirigir alcoolizado. Eram também antiéticos por não respeitarem a vida, caso acontecesse um acidente fatal. Como tinham militares no meio dos familiares, se acontecesse algo, resolviam tudo nas famosas “carteiradas”. Felizmente nunca aconteceu nenhum acidente.


Analisando a falseabilidade das três máximas que coloquei, podemos dizer que, quando afirmo: “Honestidade vem de berço”; na verdade estou pensando que uma educação mais rígida voltada para o cumprimento das regras não pode ser feita por quem não cumpre, totalmente, as regras. Um engano frequente que, atualmente, a maioria comete.


Quando afirmo que: “Os valores familiares são a base de tudo”; também estou cometendo outra heresia. Os valores familiares servem, apenas, para sua família. Os seus valores servem apenas para vocês. A ninguém mais se interessa em utilizar a “régua” que sua família utiliza para emitir juízo de valores. Imagine se fossemos utilizar os valores familiares dos Cravinhos, dos Nardonis, da Suzane Von Richthofenn etc.?


Quando afirmo também que: “Ética se aprende em casa”; só tem sentido isso se os seus pais e/ou tutores forem professores formados em filosofia e que estudam os temas ética e moral. Caso contrário, você não vai aprender em casa nada sobre isso. Para aprender de forma estruturada e profunda tem que estudar as origens da ética e moral e seus filósofos ao longo de 2.500 anos.


Assim mesmo eu amo meu pai. Ele se foi em 2008. Penso nele quase todos os dias. Sinto uma saudade profunda. Sempre me vem boas lembranças. Quando ele morreu, eu ainda estava estudando filosofia e os temas ética e moral. Não deu tempo de discutir com ele os conceitos corretos e mostrar o quanto ele e os demais estavam equivocados. Penso que no fundo eles nem sabiam que estavam sendo antiéticos e imorais por pura ignorância de conceitos, devido aos estudos precários que tiveram.


Como meu pai era um bom papo, tenho certeza deque ele ia ouvir, pensar, sentir e discutir muito comigo esse assunto. Provavelmente ia, com muito bom humor que lhe era peculiar, mudar sua posição, continuar bebendo e chamar um taxi.

E você? Qual miragem você tem de seus familiares em relação a serem éticos e morais?
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