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Mitos sobre Ética e Moral – Parte: 3


Finalizando (por enquanto) nossa jornada em busca de mitos e verdades sobre Ética e Moral, quero deixar claro que: a ética e a moral são conceitos fundamentais que norteiam as ações e escolhas humanas em diversas esferas da vida. Com o advento das redes sociais, esses conceitos se tornaram ainda mais relevantes, uma vez que as interações e conteúdos compartilhados nessas plataformas podem ter um impacto significativo na sociedade.


No entanto, muitas vezes, esses conceitos são mal compreendidos ou até mesmo banalizados nas redes sociais. É comum vermos postagens que ferem a ética e a moral, disseminação de informações falsas e até mesmo comportamentos considerados imorais ou antiéticos.


Por isso, é de extrema importância pesquisar com profundidade os temas relacionados à ética e moral nas redes sociais, para não cair na armadilha das Fake News e não banalizar conceitos tão importantes. Porém, pesquise os clássicos escritos por filósofos especializados nos temas. Não perca tempo lendo conceitos equivocados elaborados por quem não é da área.


É necessário compreender que as escolhas e ações tomadas nas redes sociais podem ter impactos reais na sociedade, e devem ser pautadas por valores éticos e morais sólidos. Vamos lá!


Na parte 1 e na parte 2, falamos sobre:

Mito: 01 – A Ética e Moral são sinônimos?

Mito: 02 – Existe a Ética Empresarial; Ética Médica; Ética no Serviço Público etc.?

Mito: 03 – Moralistas são pessoas ruins?

Mito: 04 – É certo falar em Código de Ética?

Mito: 05 – É importante ter um Comitê de Ética?

Mito: 06 – Ranking das empresas mais Éticas?

Mito: 07 – Existe a Ética do Bandido; Ética da Cadeia etc.?

Mito: 08 – Canal de Ética para denúncias?

Mito: 09 - Institutos e associações "guardiãs" da Ética e da Moral, existem?

Mito: 10 - Empresas com ética no nome, são oportunistas?

Mito: 11 - Existe algum algoritmo ético e moral?

Mito: 12 - Como é a Ética e a "sopa de letrinhas"?


Vamos agora aos últimos 06 mitos que encontramos nas redes sociais e internet como um todo. Quando aparecerem outros mitos, publicarei novamente.


Mito: 13 - É verdade que Ética vem do berço?

Depende. Se os seus tutores são formados em filosofia e especializaram em ética e moral, provavelmente você aprenderá sobre os temas na sua casa. Agora, achar que os valores da sua família são sinônimos de ética e moral, já é um grande exagero.


Na verdade, os valores familiares são importantes mas são apenas a “régua” que sua família utiliza para emitir juízos de valores. Esses juízos servem apenas para sua família. Não servem para mais ninguém.


Podemos dizer que esses “juízos” é a forma moral que sua família encontrou para ajustar alguns combinados do que é certo e errado. Nada mais do que isso.


Assim, todas as famílias acabam tendo seus “códigos morais” que servem apenas para a família em si. Afinal, por que eu deveria seguir o código moral de sua família?


Mito: 14 - A decisão Ética tem algum apelo emocional?

Não. A ética e racional. Quando definimos algum conceito do que é ético ou não, temos que utilizar apenas a razão. Se impregnarmos os conceitos éticos com emoções, seremos mais antiéticos e aéticos do que éticos.

Porém quando vou agir de forma ética, por exemplo, ajudar pessoas pelo mundo afora a comer, faço isso com o coração transbordando e alegria. Assim, podemos dizer que a ação ética é emocional.


O que acontece, invariavelmente, é que misturamos definições com ações, levando para os conceitos algo que não existe ou não deveria existir. A ética é racionalista por gênese.


Quando Aristóteles associou o conceito de ética à felicidade, ele disse que a felicidade (emoção) seria o fim (telos=finalidade) último da ética. Ele tratou esse fim último não como conceito mas sim com consequência de práticas diárias do bem comum.


Para Aristóteles a felicidade está ligada à atividade humana, sendo um tipo de atividade em conformidade com a “reta razão” e com a virtude (areté). Isso quer dizer que a vida virtuosa é racional.


Mito: 15 - Eu aprendo Ética na religião?

Infelizmente, não. As religiões têm seus códigos morais: bíblia, alcorão, tora e etc. Como ética tem a ver com o bem comum com viés universal, as religiões, de forma capciosa, se apropriam do termo “bem comum universal” e o associam ao seu Deus.


Por isso que, no medievo, podemos ler vários filósofos que tratam a “ética” apenas como “moral”, pois se falassem que ética não era Deus, perderiam suas cabeças, literalmente.


Se você ler atentamente os códigos morais das principais religiões perceberá que são apenas códigos morais mesmo e, que não têm nada de ético neles. Ao contrário, são antiéticos e aéticos.


No antigo testamento (dos cristãos) podemos observar uma enxurrada de ações antiética e imorais: o dilúvio global, a destruição de Sodoma e Gomorra, as pragas do Egito, a morte dos primogênitos e assim vai.


Na minha opinião, o papel das religiões é tão somente de aflorar a espiritualidade e promover conexão, sem intermediários, com o sagrado. Todo resto é negócios espúrio.


Mito: 16 - Eu aprendo Ética na escola?

Deveria, mas não é o que acontece. Se a pessoa não está estudando filosofia na universidade, dificilmente aprenderá ética e moral de forma correta e profunda. Mesmo estudando, terá que se especializar e continuar sua pesquisa nos conceitos de ética e moral desde o início.


Hoje já podemos ver no mundo experiências extremamente positivas do ensino da filosofia para as crianças. Desde a educação infantil, do fundamental e do ensino médio. Aqui no Brasil, quando há o ensino, é apenas no ciclo médio. Fora isso, esqueça. Pergunte na escola dos seus filhos se ensinam ética e moral de forma estruturada e profunda? Você não terá resposta.


Já perguntei na escola da minha filha o porquê não ensinam ética e moral no 5º ano? A resposta é que, as crianças ainda não têm capacidade cognitiva para absorver os conceitos. A verdade é outra. Tanto a escola como os professores não foram capacitados para ensinar filosofia (ética e moral) de forma que o mundo vem fazendo. Assim, como essas disciplinas não estão no currículo do MEC – Ministério da Educação e Cultura (BNCC), para que (eu: escola e professor) se esforçar e ensinar?


Para as crianças e adolescentes aprenderem, deveria ser ministrado cerca de 08 horas/aula mês sobre os temas. Um total de 80 horas/ano. Ensinado desde o ensino básico (educação infantil/pré-escola) passando pelo ensino fundamento I e II até o ensino médio. Durante todo esse período (14 anos) os alunos teriam cerca de 1.120 horas/aula sobre Ética e Moral. Esse volume é o mínimo necessário para que elas assumam uma postura ética para vida e sejam pessoas virtuosas que possam mudar o futuro do planeta.


Mito: 17 - Eu aprendo Ética na empresa?

Seria ótimo. Eu vejo, como uma alternativa mais consistente que as universidades, as empresas ensinando ética e moral para todos os seus stakeholders. Os cursos universitários, com exceção de filosofia, têm como carga horária a disciplina de ética de no máximo 40 horas. Imagine uma graduação de 4 anos com carga horária de 3.000 horas, o ensino de ética ocupa 1,3% da carga total. Como é que esse egresso aprende ética e moral?

Além disso, o ensino dessas disciplinas geralmente é feito por professores formados na UniGoogle. O que é uma lástima total. Esse é um dos motivos que temos profissionais formados que acabam, muito mais prejudicando do que ajudando pessoas.


Além disso, como o curso não dá importância a ética e moral, o que ensinam sobre isso não vale a pena ensinar.

Sobra então para as empresas. Aquelas que, verdadeiramente, querem ser éticas e agirem moralmente. Para essas, só há um caminho: contrate filósofos, especializados em ética e moral, e faça um curso interno de desenvolvimento humano com no mínimo 360 horas/aula. Tempo de um MBA. Tenho certeza de que, a maioria do seus problemas em relação a: processos operacionais, não conformidade, compliance, governança, ações trabalhistas, assédio moral e sexual, liderança, gestão etc., vão sumir do radar. A cultura ética e moral, tão desejada por muitos, se instalará e proliferará. A organização se tornará referência.


Mito: 18 - Eu aprendo Ética com consultorias?

Com a minha sim.(rs). As consultorias que eu pesquiso e que dizem que ajudam desenvolver a cultura ética e moral organizacional, não têm, em seu corpo de consultores, ninguém formado e especializado nos temas. Aí eu te pergunto: O que eles, realmente, desenvolvem em relação a ética e a moral?


A sensação que tenho é a mesma que você teria em se tratar com um pediatra sobre um problema cardiológico. Pode dar certo? Até pode. Mas é muito mais provável dar errado do que certo. Não achas?

Há um tempo atrás, fui chamado por uma grande empresa para fazer analisar um dilema em que se encontravam. Eles me disseram que tinham tentado desenvolver a cultura ética e moral com um bam-bam-bam do mercado, professor da USP, etecetera e tal. Falaram do que ele e equipe tinham feito para a empresa até o momento e que ninguém estava gostando. Se eu poderia ajudar.


Meu diagnóstico: conceitos de ética e moral sem relação com a gestão do negócio; muitas “máximas filosóficas” sem sentido para a equipe; sem a criação de “pontes” entre o “onde estou?”, “para onde quero ir?”, “como irei?”, “o que me espera quando chegar lá?”. Além disso, as pessoas da equipe desse bam-bam-bam, se julgavam também no mesmo nível dele, mostrando certa arrogância com a equipe da empresa. Mais complicavam do que ajudavam a empresa a se mover em relação a ética e moral. Colocaram a ética como um fim/objetivo e não como um ponto no horizonte que deve servir como direção. Enfim, algo professoral sem conexão com a realidade.


Para mim, ética não é ponto de chegada. É ponto de partida.

Finalizamos assim esses 18 mitos que aparecem no dia a dia das redes sociais e que influenciam pessoas de boa índole e potencializam pessoas de má índole. Banalizamos a violência, as drogas, a ignorância, a corrupção, a impunidade e outras atitudes. Estamos, a cada dia, banalizando a Ética e a Moral. Chamamos de “atitude ética”, quando damos uma quentinha para uma pessoa com fome, e filmamos em detalhes com várias repetições de cenas, para colocar na internet. Em pouco tempo, ser antiético e imoral, não representará nada. É como hoje, onde milhões de pessoas têm orgulho de ser negacionistas. Pense nisso!

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