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Pesquisa: Anônima ou Identificada?


Durante mais de 20 anos venho fazendo pesquisas dentro de Organizações para conhecer o que os stakeholders pensam sobre determinados assuntos que afetam a organização. Temas como ética e moral, inovação, condutas organizacionais, corrupção, LGPD, ESG, aderência aos documentos normativos organizacionais e assim por diante.


Antes de aplicar as pesquisas, sempre fizemos alguns testes de consistência para saber se o tema deveria ser abordado de forma anônima ou identificada. O objetivo era entender qual abordagem nos levaria a ter um resultado muito próximo da realidade. Alguns temas com respostas anônimas podem mostrar uma realidade oculta que existe dentro da organização, outros, entretanto não.


Desta forma, para poder utilizar as pesquisas de forma eficiente, é preciso conhecer qual abordagem devemos utilizar: anônima ou identificada. Os resultados interferem nos tipos de ações que serão tomadas, pós pesquisa, para melhorarem os resultados das encontrados nas pesquisas e, assim, modificar os paradigmas anteriores.


Com o tempo, percebemos que houve uma evolução no modo anônimo. Há 20 anos, quando, aplicávamos um questionário anônimo, os respondentes avaliavam de forma muito contundente, mesmo sem ter tanta convicção dessa avaliação. A avaliação era mais com o fígado do que com o cérebro. Por exemplo, se perguntássemos:


Para que serve a ética dentro da organização?

1) Para manter a organização no fio condutor do bem comum

2) Para ajudar nas decisões difíceis

3) Para constar nos valores da organização

4) Para usar o termo como marketing

5) Não serve para quase nada


No modo anônimo, as respostas 4 e 5 tinham um peso maior que as respostas 1 e 2. No modo identificado, as respostas 1 e 2 tinham um peso maior que as respostas 4 e 5. Isso há vinte anos. Em nossa avaliação, entendíamos que isso acontecia pela combinação de dois fatores: falta de repertório dos respondentes e clima organizacional mais autocrático.


Com o passar do tempo, notamos que essa mesma questão, em organizações do mesmo tipo, as respostas, tanto no modo anônimo como no identificado, se concentra nas opções 1,2 e 3.

O contexto geral mudou. Talvez “o fígado” tenha dado lugar ao “coração e cérebro” e as pessoas têm respondido as pesquisas anônimas com muito mais seriedade do que no passado. Isto mostra que, de certa forma, as organizações estão evoluindo nas suas práticas, procurando ser coerente e consistente com o que falam e executam.


Ainda usamos pesquisas no modo anônimo para vários casos que se justificam. Entretanto, o modo identificado vem crescendo bastante nos últimos tempos. Um alívio para que possamos conhecer o pensamento de forma mais rápida e poder agir eficientemente.


Os stakeholders estão para uma organização da mesma forma que a organização está para os stakeholders. Entender isso já é meio caminho andado. Ajustar as percepções para que a jornada de ambos seja ética, rica, inspiradora e perene não é função de apenas uma parte. É função de todos.

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