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Polícia Moral


No Irã existe a polícia da moralidade, formalmente conhecida como Gasht-e Ershad, ou "Patrulha de Orientação", que foi criada pelo presidente Mahmoud Ahmadinejad, um político linha-dura, com o objetivo de "difundir a cultura da modéstia e do hijab". Essas unidades começaram a patrulhar as ruas em 2006 e, no ano seguinte, passaram a usar violência física e prisões.

Como a moral trata do certo/errado com viés particular, ou seja, com os combinados de um determinado grupo, ela não tem relação com a moral de outros grupos. Por isso a estranheza de entender o porquê existem tais posturas.


As leis (moral) existem para, além de outras coisas, manter os aspectos culturais de um povo preservando sua identidade. Elas (leis – moral) não têm a ousadia de atender todas as demandas da sociedade. Por exemplo: as pessoas andarem quase nuas no desfile de carnaval é um aspecto cultural do povo Brasileiro. Muitos brasileiros não gostam e nem por isso são atendidos pelas leis (moral). O que lhes cabe, simplesmente, é não participar da festa. A moral, embora alguns pensem que deve atender a todos, ela apenas funciona para maiorias. Esse é um aspecto perverso do utilitarismo em todo o mundo. Se você é minoria em determinado caso, ou se construirá uma lei (moral) para isso, ou você está excluído.


Não é possível avaliar, moralmente, uma postura de um outro povo, por exemplo, em relação ao que julgamos certo e errado. Cada povo tem suas próprias regras (moral) que não permite um julgamento universal. É o caso da Mahsa Amini, de 22 anos, que foi presa pela polícia da moral em Teerã, em 16 de setembro de 2022, por não estar com corretamente com o véu (regra/moral) e declarada morta três dias depois. Podemos questionar e até repudiar a morte. Porém o fato: não estar usando o véu corretamente, não temos e não podemos emitir nem um juízo de valor sobre isso. Seria a mesma coisa que um iraniano julgar o desfile de uma escola de samba como imoral e que deveriam ser todos presos.


Durante os últimos 15 anos, as mulheres iranianas que se aventuraram a sair de casa, mesmo que para uma simples tarefa, o fizeram com medo de encontrar com a polícia da moral. Aquelas que não cumprem o estrito código de vestimenta da República Islâmica são conduzidas para uma das vans verdes e brancas das unidades e instruídas sobre como usar o véu. Na pior das hipóteses, são espancadas por ousar violar.


A morte de Mahsa Amini, que ativistas atribuem a uma pancada na cabeça, enquanto as autoridades afirmam ter sido causada por uma doença preexistente, desencadeou uma onda de protestos em que as mulheres, além de sair às ruas para se manifestar, estão queimando seus véus em público.


Não sabemos como será o desfecho dessas manifestações. A história nos demonstra que, uma mudança de um código moral que já virou cultura em um povo, é muito difícil e só acontecerá após muita luta. Imagine você se um governante ditador no Brasil quisesse banir os biquinis do vestuário feminino, o que aconteceria?


O policiamento moral existe em todas as sociedades. Em algumas declaradas, em outras obscuras. Um povo só evoluirá se suas regras morais particulares se aproximarem das reflexões éticas universais.


Isso acontece também no mundo corporativo. Não adianta ter regras (moral) particulares: código de conduta, manuais de boas práticas etc., se essas regras estão longe de se aproximarem das posturas éticas universais. Em um mundo interconectado agir assim é assumir um risco gigantesco de virar um pária.



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