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Predadores


Em 2022, segundo o portal Layoffs, mil empresas de tecnologia demitiram 154 mil funcionários em todo mundo, incluindo do Brasil. Em 2023 as grandes empresas estão demitindo: Amazon (18.000), Salesforce (7.000), Microsoft (10.000), Google (12.000), Meta (11.000), Twitter (3.700) e assim vai. No Brasil, nos primeiros 15 dias, mais de 100.000 trabalhadores perderam seus empregos: Riachuelo, CVC, Eletrobras entre outras. Ainda temos a vergonha da fraude nas Americanas para fechar o mês de janeiro/2023.


O que essas empresas têm em comum? A cultura predadora.

Se você analisar explicações dos seus gestores responsáveis, perceberá que todas aproveitaram oportunidades na pandemia e que agora não é mais necessário manter estruturas maiores.

Esse pensamento predador é exclusivo da espécie humana. Você não vê leões, tigres e demais predadores da natureza abaterem mais presas, por questão de oportunidade, do que necessitam.


No Brasil, acumulamos casos em que os predadores se deram mal: Mesbla, Mappin, Arapuã, Lojas Brasileiras, Kolynos, Sharp, Itautec, Gradiente, GG Presentes, Ultralar, Lojas Ducal, Sears, Varig, Vasp, Banco Bamerindus, Gurgel e tantas outras.


Mesmo levando em consideração que os cenários - econômico e político da época - interferiram nessas empresas, na sua maioria, o que as fizeram se dar mal foi a cultura predadora de “aproveitar oportunidades” e ganhar mais, não se importando com o futuro das pessoas.


No mundo, existem mais de 10 empresas com mais de 1.000 anos de existência. Só no Japão existem mais de 20.000 empresas com mais de 100 anos de existência. O que faz essas empresas serem longevas e se tornarem verdadeiros legados?


Com certeza não é a cultura predadora.

Essas organizações geralmente são familiares, empregam menos de 300 pessoas e estão inseridas nas suas comunidades que se orgulham delas. Basicamente são 06 posturas que as diferenciam das demais organizações:

1) Ética e Moral: Essas organizações longevas têm em sua gênese a reflexão ética e o agir moral. Avaliam, constantemente, o seu dia a dia e verificam se agiram para o bem comum (ética) e se seguiram os combinados internos e externos (moral). Caso seja importante, atuam de forma enfática para mudar alguma regra (interna ou externa) que esteja atrapalhando o exercício do bem comum. Lutam para isso e não pegam atalhos.


2) Identidade: As organizações mais antigas têm um forte senso de identidade corporativa, significado e propósito. Expressam seus valores culturais em todo momento e em todas as relações: clientes, fornecedores, colaboradores etc. Sabem exatamente “Para Quê Existem” , “Para Quem Existem”, Em Qual Negócio estão” e “Quais seus Diferenciais”.


3) Austeridade: As organizações são mais conservadoras no financiamento e tendem a ter baixos níveis de dívida para financiar o seu desenvolvimento. Investem em projetos que tenham estudos profundos de viabilidade. Valorizam o repertório dos colaboradores e entendem que, “sem paixão”, não há negócios. Não fazem gestão de crises. Apenas superam!


4) Tradição: As organizações atuam melhor na gestão de mudanças que a maioria, e acreditam que isso é importante para honrar o passado e manter sua reputação. A maioria das alterações são pequenas melhorias incrementais contínuas. Mudanças mais profundas são planejadas por muito tempo por equipes que conhecem o passado, presente e futuro.


5) Gente: As organizações “olham” para dentro no momento de escolher líderes. Acreditam que a história de cada um é importante e faz parte da história da empresa. Tendem a transformar pessoas em “guardiões” de projetos, processos e causas através de investimentos na educação. Valorizam a alteridade e gostam de pessoas que agem dessa forma.


6) Longo Prazo: As organizações pensam sempre no longo prazo. Sua marca maior é continuar na comunidade onde nasceram, mesmo que tenham vantagens fiscais em outros lugares. Valorizam os relacionamentos longevos e priorizam essas relações locais na hora de escolherem seus fornecedores, clientes, colaboradores etc.


O Brasil está longe de seguir essa linha organizacional. Nossa cultura do “jeitinho brasileiro” e a falta da reflexão ética e do agir moral, nos levaram a criar líderes e gestores mais predadores e menos virtuosos. Somos obcecados por entregar resultados, por vezes, conseguidos de forma espúria. Onde estão nossas organizações privadas com mais de 100 anos? Estão com a mesma família? São virtuosas? Pesquise e você verá que é muito difícil encontrar organizações brasileiras com mais de 100 anos que estejam com a mesma família.

Longevidade organizacional, definitivamente, não é nossa prioridade. Nossas lideranças precisam, urgentemente, desenvolver a competência ética.

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