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O Tempo

O tempo, essa tapeçaria intrincada na qual bordamos as nossas existências, é um conceito tão familiar quanto enigmático. Santo Agostinho, com sua sabedoria atemporal, capturou a essência desse mistério ao confessar: "Se você não me perguntar o que é o tempo, eu sei o que é. Se você me perguntar, eu já não sei mais".


Essa reflexão nos convida a mergulhar nas profundezas de um dos enigmas mais fascinantes da humanidade.


O tempo é o palco silencioso onde dançam nossos sonhos, medos, conquistas e perdas. É a dimensão invisível que molda nossa realidade, tecendo o passado, o presente e o futuro em um continuum que desafia nossa compreensão plena. Vivemos imersos no tempo, respirando seus segundos como o ar que nos é tão essencial, raramente pausando para contemplar sua natureza fugaz e eterna.


Como um rio que flui sem cessar, o tempo carrega consigo momentos efêmeros, deixando para trás as memórias que tentamos capturar, como folhas que flutuam em suas águas. Ele é generoso, oferecendo-nos a cada amanhecer a promessa de um novo começo, e, ao mesmo tempo, implacável, pois cada segundo que passa é um segundo que não retorna.


O tempo é uma melodia cujas notas ressoam nas cordas da nossa existência, compondo a sinfonia da vida. Ele é o mestre invisível que nos ensina sobre a impermanência, a paciência e a arte de valorizar cada momento. Em sua dança, aprendemos a soltar o que não podemos reter e a abraçar a beleza do agora.


E ainda assim, quando tentamos definir o tempo, encontramos nossas palavras desvanecendo-se como sombras ao meio-dia. Ele escapa às definições, pois é mais do que uma sequência de momentos; é a dimensão onde se entrelaçam a existência e a essência, o visível e o invisível, o finito e o infinito.


Portanto, talvez a verdadeira sabedoria esteja não em tentar aprisionar o tempo em definições, mas em aprender a navegar suas correntes com graça, aceitando seu mistério com admiração e gratidão. Viver plenamente cada instante, conscientes de que, embora o tempo seja inescrutável, ele é o cenário onde se desenrola a magnífica aventura da vida.


Nas palavras de Santo Agostinho, encontramos um convite para refletir sobre o tempo não apenas como uma entidade a ser medida, mas como um mistério a ser vivenciado. Então, enquanto as areias do tempo continuam a escorrer por entre nossos dedos, que possamos tecer nossas histórias com coragem, amor e esperança, celebrando cada momento como um presente precioso. Porque, no final, talvez o tempo seja simplesmente isso: o espaço sagrado onde a vida acontece, um sopro divino que nos conecta ao eterno.



Xiko Acis | Provocador

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