Por que agir moralmente?


Como já afirmei em outros textos, a reflexão ética vai tratar dos assuntos relativos ao bem/mal, de forma universal. O agir moral vai se ocupar das regras relativas ao certo/errado, estabelecidas pelos grupos de forma particular.

Como vou falar sobre moralidade, ou seja, cumprimento das regras, estou emitindo juízo de valor em relação a ser: moral, imoral e amoral.

· Moral: aquela pessoa que cumpre as regras estabelecidas, independentemente se participou ou não de sua criação.

· Imoral: aquela pessoa que não cumpre uma ou mais regras estabelecidas, independentemente se participou ou não de sua criação.

· Amoral: aquela pessoa que não reconhece as regras na sua totalidade.


Caminhando do macro para o micro, começarei sobre as regras do país e chegaremos as regras do indivíduo.


No País: temos as leis da constituição como fio condutor de como devemos agir em relação a tudo que fazemos. Quando você não concorda como uma lei qualquer você pode discuti-la de várias formas: Fazendo um abaixo assinado com o número de assinaturas necessárias, convencendo um deputado federal sobre o problema de uma lei em específico, entrando com uma ação judicial questionando que, no seu caso, o cumprimento de determinada lei poderia causar problemas etc. Agindo dessa forma, sua ação será considerada moral. Agindo de qualquer outra forma, ou seja, não cumprindo a lei que você não concorda, você será considerado imoral, podendo responder civil ou criminalmente pelo descumprimento com penas estabelecidas de acordo com que a lei fixou.


No Estado e no Município: segue o mesmo raciocínio acima. Se você não cumprir as leis estaduais e municipais, será considerado imoral, respondendo por isso.


Na Organização: que você trabalha, tem os combinados que por vezes são informais e em determinados casos, formais. Chamados de códigos de conduta e algumas vezes (erroneamente) códigos de ética, esses códigos estão abaixo das leis federais, estaduais e municipais, ou seja, não pode conter nada que fira essas leis, mas pode estabelecer limites específicos para o agir na organização. Toda vez que você não cumpre com esses códigos estabelecidos por agentes da organização, você será considerado imoral e poderá ser punido com a demissão.


Na escola: seguindo os mesmos critérios da organização, as escolas também têm um conjunto de regras que você deve cumprir para ser considerado uma pessoa moral.


Na sua Religião: você estará submetido as regras dessa religião. Essas regras estão descritas nos seus códigos de conduta, também chamados de códigos morais. Cristã, bíblia. Judia, torá. Muçulmana, Corão e assim por diante. Da mesma forma que os demais códigos, se você não cumpre o que está escrito. Mesmo que seja uma única coisa, você será considerado imoral. Em geral, as punições são espirituais.


No Condomínio que você mora: também nesse caso, existe a convenção do condomínio, que são as regras existentes para convivência harmoniosa entre as pessoas. Se você não cumpre qualquer uma dessas regras, será considerado imoral. Nesse caso, a punição é estabelecida na própria convenção.


No Clube que você frequenta: as mesmas condições do item anterior.


Na Categoria profissional que você se enquadra: se você tem alguma formação geralmente pertencerá a uma categoria profissional. Advogados, OAB. Médicos, CRM e assim por diante. Essas categorias também têm seus combinados e/ou códigos de conduta/ética no qual você se enquadra e está sujeito. Se você não cumprir esses códigos, poderá perder sua permissão de trabalho na categoria, e será considerado imoral.


Na sua Família: mesmo implicitamente, no círculo familiar, estão inseridos os códigos de convivência familiar. Esses códigos são baseados no que a família chama de “Valores familiares”. Esses códigos, por vezes adaptados e passados de geração em geração, servem única e exclusivamente para a família em questão. É a régua que a família utiliza para emitir juízos morais. Da mesma forma que os demais casos, quando um membro da família não cumpre os combinados ele será considerado imoral, e será punido com base no que a família estabelecer a priori ou a posteriori.


Os limites do agir humano

Você reparou que, para ser considerada uma pessoa moral, você deve cumprir um conjunto de regras estabelecidas por vários agentes, as quais você está sujeito por toda uma vida. É praticamente impossível você ser considerado moral todo tempo e o tempo todo. Por vezes será imoral e até amoral.


Pense comigo: sem essas regras estabelecidas por todos os agentes, como seria a vida em comunidade em nosso país?

Mesmo com essas regras e com punições, se não estabelecermos os limites para o agir humano, haveria um caos na sociedade sem condições de viver em comunidade. Já estaríamos no último grau da barbárie.

Por exemplo: de janeiro a dezembro de 2021, o DETRAN de São Paulo, aplicou 1.563.449 multas. Cerca de 3 multas por minuto. É um número que só cresce.


A moralidade, ou seja, as regras, andam atrás da ética. Para ser concebida, as regras se inspiram nos princípios éticos existentes. Mesmo assim as regras estão sempre desatualizadas não acompanhando a dinâmica humana.

Ainda assim precisamos ter a disposição de cumprir e revisar as regras com mais celeridade, discutindo seu alcance e seus objetivos. Queremos, na verdade, pessoas éticas e não apenas cumpridores de regras. Para isso, precisamos desenvolver o repertório ético e moral desde o ensino fundamental até o universitário, ampliando para todos os agentes existentes. Ou investimos no desenvolvimento da cultura ética e moral de forma mais radical, ou passaremos o resto da vida criando regras e mais regras. É comum as pessoas dizerem que querem deixar um mundo melhor para seus filhos. Na verdade, devemos deixar filhos melhores para o mundo. Só conseguiremos isso adotando o ensino da ética em todos os ciclos da educação.

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